DIA DAS CRIANÇAS

Muitos pais sempre me perguntam “como fazer com as crianças”. Como fazer para elas obedecerem ordens, fazer tarefas e pararem de usar as telas, seja vídeo game, celular, computador. Tantos recursos disponibilizados, tantas atividades extracurriculares, escola online e presencial, modelo híbrido.


Pergunto como está a relação e, quando o casal, os pais, estão juntos, se entreolham e respondem que está tudo bem. Quanto tempo vocês têm passado juntos? O que conversam? Do que brincam? Que momentos compartilham suas experiências? Quanto se olham?
As respostas diminuem e, muitas vezes, o silêncio impera!

Em que momento o trabalho, as individualidades ficaram mais importantes do que os encontros familiares? Cada um no seu cercado, cada um na sua vida, compartilhando, às vezes, o mesmo ambiente, trocando mensagens com vários grupos de WhatsApp, usando as redes sociais e se distanciando da família e, em especial, dos filhos.

Há esperança que a escola os eduque, pois “não têm tempo para isso”. A quem a criança ouve? Com quem compartilham? Os momentos estão cada vez mais raros, muitas vezes até nos finais de semana, a interação é com uma funcionária folguista, porque os pais precisam de diversão; afinal, trabalharam duro a semana inteira.



Os limites são dados, a maioria dos pais afirmam isso. Entretanto como esses limites são dados? Com críticas ao comportamento que, muitas vezes, eles apreenderam com seus próprios pais. Esse texto não se propõe a criticar os pais e, sim, alertá-los para a repetição de conceitos e reforço do distanciamento das relações.


Pais, mudem o seu olhar para o seu filho, ele ainda não é um adulto, ele precisa de sua atenção, carinho, apoio. Não terceirize a educação, participe dela. O dia tem apenas 24h, eu não sei como mudar isso, mas eu sonho com a priorização das crianças e dos adolescentes, numa tentativa urgente de mais amor, mais compreensão e diálogos “olho no olho”.



O olhar faz a diferença para a criança. O olhar valida, acolhe, afasta, diz em que quero me espelhar e o que quero evitar. Após olhar, senta no chão, brinca, convive, beija, abraça, entende as necessidades de cada um de seus filhos e, assim, compreenda também as suas. O tempo passa rápido demais e logo eles estarão com autonomia para seguir em frente e, você, com sua missão quase cumprida. É um projeto de longo prazo.


“Os Pais podem dar alegria e satisfação para um filho, mas não há como lhe dar felicidade. Os Pais podem aliviar sofrimento enchendo-o de presentes, mas não há como lhe comprar felicidade. Os Pais podem ser muito bem-sucedidos e felizes, mas não há como emprestar felicidade. Mas, os pais, podem, aos filhos:

Dar muito amor, carinho, respeito, Ensinar tolerância, solidariedade e cidadania,

Exigir reciprocidade, disciplina e religiosidade, Reforçar a ética e a preservação da Terra.

Pois é de tudo isso que se compõe a autoestima que repousa a alma,

E é nessa paz que reside a Felicidade” (Içami Tiba - Psiquiatra e Psicodramatista, Escritor).


-Maria Helena Caldas Lira -

Psicóloga.Terapeuta de família e casal.

CRP 02/08636

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