O REFLEXO DA VIDA

Hoje, olhando para meu filho, senti em mim a presença do meu pai. Foi como verificar uma manifestação que, até algum tempo, só faria sentido nessa relação que se encerrou há quase 10 anos, quando ele pediu licença dessa função paterna, e se foi, numa viagem só de ida.



Viver com a presença física do pai, mesmo que distante, de certa forma é como ser passageiro na viagem da vida; quando essa relação acaba, pelas vicissitudes da vida e da morte, surge a sensação inevitável de tornar-se condutor do próprio destino.

Mesmo já sendo pai, entender-me ainda filho parecia me trazer um conforto, uma segurança de que existia uma última “linha do horizonte”, a qual nunca se chega ou atravessa. Quando esse tempo terminou, foi necessário também liberar, dentro de mim, a imagem do meu pai.


E isso só foi possível porque dele eu fui, além de filho, pai, ainda nos seus derradeiros dias. Então, todas as músicas fizeram sentido; todos os versos soaram familiares; todos as fórmulas da vida sucumbiram, e deram lugar à essência da mais pura realidade.


Somos herdeiros desses seres benditos, no corpo, e na alma; deles recebemos, também, a oportunidade de estarmos aqui. Em nós, eles surgem, se apresentando às gerações vindouras, trazendo, de forma bela, o reflexo da vida.


Autor: Michell Limeira

Terapeuta de Casal e Família.

2 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo